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A disposição das classes e cadeiras, em fileiras, poderia reprimir/oprimir os alunos?
20/05/2017

 A disposição das classes e cadeiras, em fileiras, poderia reprimir/oprimir os alunos?!

A afirmação/sugestão de que a disposição das classes e cadeiras faz com que os alunos vejam o professor como figura autoritária é improcedente. E isso logo se verifica no Universo, que é ordenado com leis fixas. Ademais, o aluno só terá interesse pela Educação (e não por conteúdos e formas de explicitá-los) se compreender que a vida lhe exige esforço, dedicação. No mercado de trabalho, os 'desinteressados' não poderão exigir o que lhes agrade. Chega de culpar o 'sistema'.

(Em shows, por exemplo, milhares de pessoas ficam dispostas umas ao lado das outras, não apenas pelos flancos da direita e esquerda; mas também, com exceção da primeira fila, todas as demais pessoas ficam umas atrás das outras. Os artistas ficam não apenas na frente de todos os que pagaram para ver o show, como ainda num palco disposto daquele modo por motivos óbvios - em altura superior à do chão onde estão as milhares de pessoas que não se sentem oprimidas por 'autoritarismo' qualquer por conta daquele amontoado de pessoas que se enfileiraram desde a compra dos ingressos. Ninguém reclama por não ficar em círculo, como numa grande irmandade geométrica.)

As escolas e universidades foram decaindo em qualidade de ensino, consequentemente houve declínio intelectual na sociedade ao passo que se assimilou o nominalismo de ockham, fazendo com que a verdade fosse jogada ao canto (e aconteceria o mesmo, ainda que num círculo). O relativismo moral corrompeu a sociedade, que, agora, nem sequer consegue perceber que corrupção não é apenas uma expressão de negociatas financeiras, mas sobretudo uma degeneração moral; eis porque mentir é algo pernicioso para o conhecimento e jamais haveria Filosofia, Conhecimento e Comunicação permeadas com meias-verdades. O mundo sempre preservou a noção de meritocracia. Um aluno aplicado não estabelece necessariamente uma competição de notas com outros alunos, mas expressa o desenvolvimento/aprimoramento/aperfeiçoamento de sua disciplina/ empenho pessoal. Evidentemente que, num mundo ordenado, o aluno dedicado pode e deve esperar que os mais dedicados (competentes, preparados) sejam devidamente recompensados; assim o é até mesmo nas Olimpíadas, e deveria sê-lo nas eleições e no mercado de trabalho.

Ora, diferentemente de sociedades que 'distribuem' recursos nivelando (igualando) as pessoas por baixo, a meritocracia possibilita, em tese, desde a sala de aula, que todos os alunos sejam graduados com notas máximas. Mas não se pode ignorar que, naturalmente, somos diferentes, com potenciais diferenciados, distintos. Naturalmente algumas pessoas sentirão mais interesse por algumas áreas de conhecimento. Mas é imprescindível que todas as pessoas recebam uma educação basilar, fundamental, a despeito daquilo que naturalmente lhes apeteça. Quantos gostam de levantar cedo, ir para a escola? Nem por isso as escolas funcionariam apenas à tarde. O mesmo se aplica ao mercado de trabalho.

Somos seres decaídos, em que a motivação é despertada não apenas por 'compaixão', mas pela compreensão de que, em meio a dificuldades, devemos superar nossas inclinações pessoais para que alcancemos algum objetivo maior do que o prazer.

Por fim, recomendo que reflitam sobre o significado etimológico da palavra "Pensar", que nos remete a considerar os pesos numa balança justa - o que não se confunde com 'solidariedade'; pois se duas pessoas tivessem o mesmo peso e natureza intelectuais sobre determinado assunto, não apenas acabaria a multiplicidade, as especialidades, como seria inviabilizada a solidariedade, a compaixão, o altruísmo, que sempre dependem da disparidade de situações aliada à generosidade dos diferentes nos 'acidentes' embora iguais em 'essência' a todos de sua espécie, cuja raça única chamamos de 'Humana'.
Cristian Rogers S. D.

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